Há 15 anos o jornalista Ronaldo Jacobina direcionou sua experiência jornalística para o segmento da gastronomia, algo que, como ele revela na entrevista a seguir, aconteceu de modo até inesperado, porém, que deu muito certo. Hoje, além de ser um formador de opinião respeitado nesta área, ele é também um dos criadores do Prêmio Melhores da Gastronomia e nos conta mais sobre sua vivência, seus critérios para escrever as resenhas sobre restaurantes e o que faz um menu ganhar a sua atenção. Confira.

Como começou a sua imersão pelo universo da gastronomia? O que lhe atraiu para tornar-se um crítico gastronômico?
Ronaldo Jacobina – Comecei escrevendo para a revista Muito, em A Tarde. Não exclusivamente sobre o assunto, mas, vez por outra, a pauta caia para mim e eu confesso que não gostava, achava um tema menor, mas como tinha que fazer, fazia. Quando entrei no Correio, a editora-chefe, Linda Bezerra, tinha uma coluna sobre comida e, como estava muito atarefada, me pediu para dividir com ela a coluna, eu fazia uma semana e ela outra. Aceitei! Mas ela só fez essa divisão comigo por duas ou três semanas e, quando vi, estava fazendo a coluna semanalmente, sozinho. Então fui criando relação com a cadeia toda e acabei gostando. Mas não me considero um crítico de gastronomia, o que faço são resenhas, narro a minha experiência e pontuo sempre que a opinião é minha, é pessoal, que cada um vá lá viver a sua. Sempre visito os restaurantes antes para avaliar se vale ou não a pena escrever ou indicá-lo, porque se achar que não vale, não escrevo. O segmento hoje está muito profissional, não cabem mais amadores. E se for ruim, ele vai cair sozinho, não serei eu a dar esse empurrão, até porque ali tem familias que dependem daquele emprego… Enfim, é delicado, porque se, mesmo sendo ruim na minha opinião, continua funcionando, é porque tem quem goste.
Qual a sua avaliação hoje sobre a cena gastronômica de Salvador? Quais tendências você destaca para um futuro próximo neste setor?
RJ – A cena gastronômica local cresceu muito nos últimos anos, com cozinhas variadas, de várias nacionalidades, com chefs e restaurantes premiados, inclusive, internacionalmente. Hoje já podemos dizer que estamos inseridos no mapa mundial da gastronomia, de forma ainda tímida, mas estamos chegando lá. Essa pujança tem levado à formação e profissionalização de toda uma cadeia, que alimenta esse ecossistema. Com relação ao futuro, a tendencia é crescer e atrair cada vez mais investimentos para o setor, ofertando mais postos de trabalho e movimentando a economia local.
Sabemos que atualmente existem milhares de influencers e perfis dedicados à gastronomia. Quais são os desafios de escrever sobre este assunto em um mercado que parece saturado? Como você se diferencia neste universo?
RJ – Acho que todo mundo tem opinião e, claro, na maioria das vezes quer expressá-la. Acho que essa história de influenciador não é novidade, sempre existiu. Se uma pessoa que você considera indica um filme ou um restaurante, algo assim, a gente tende a querer experimentar. Hoje as pessoas têm outros canais, com maior alcance e daí sua opinião chega a mais pessoas. Não considero que esteja saturado, acredito que as pessoas hoje têm mais opiniões para “escutar” e decidir o que, de fato, quer ver, ou assistir, enfim… não acho que preciso me diferenciar, apenas emitir a minha opinião e, quem confia nela, acha interessante, quem não confia, desconfia, né? (Risos).
O que faz um restaurante ou um menu cair no seu gosto e estar entre as suas preferências?
RJ – Precisa ser bem executivo, independente de ser uma comida caseira ou alta gastronomia. Não tenho preconceito com essa ou aquela determinada comida, não gosto de comida ruim, mal feita.
Qual é o atual papel da crítica gastronômica especializada na promoção da gastronomia local?
RJ – Acho que exaltar o que é bom é importante para fortalecer o negocio, seja ele qual for. No caso da gastronomia, acho importante ressaltar que para que ela ganhe cada vez mais força, se o que faço vai ajudar, fico feliz. Sei que mal não fará (risos).